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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Orientação Sexual



A sexualidade humana envolve quatro aspectos: gênero; e papel, identidade e orientação sexual. Termos como heteroafetividade, homoafetividade e biafetividade fazem parte da orientação sexual; que diz respeito à atração que se sente por outros indivíduos.



A orientação sexual está relacionada à atração que se sente pelos outros indivíduos.

A sexualidade humana é um tema que gera polêmicas e muitas controvérsias, uma vez que envolve questões afetivas, papéis esperados e desempenhados em uma sociedade, e também comportamentos. De forma geral, ela envolve quatro aspectos.

O primeiro é o gênero, que corresponde ao sexo da pessoa. Assim, temos o sexo feminino e o masculino. Temos também aqueles que nascem com características sexuais tanto de um sexo quanto de outro: os hermafroditas. Quanto a estes, seu gênero costuma ser considerado de acordo com as características físicas predominantes – femininas ou masculinas. No entanto, em alguns países, são adotados como um terceiro sexo.

O segundo aspecto da sexualidade humana é a orientação sexual. Ela diz respeito à atração que se sente por outros indivíduos. Ela geralmente também envolve questões sentimentais, e não somente sexuais. Assim, se a pessoa gosta de indivíduos do sexo oposto, falamos que ela é heterossexual (ou heteroafetiva). Se a atração é por aqueles do mesmo sexo, sua orientação é homossexual (ou homoafetiva). Há também aqueles que se interessam por ambos: os bissexuais (ou biafetivos). Pessoas do gênero masculino com orientação homossexual geralmente são chamados de gays; e as do gênero feminino, lésbicas.

Alguns consideram, ainda, os assexuais, que seriam aqueles indivíduos que não sentem atração sexual; e os pansexuais: pessoas cuja identificação com o outro independe de seu gênero, orientação, papel e identidade sexual (estes dois últimos serão explicados mais adiante). Há outras fontes que adotam que a pansexualidade pode também abranger o interesse sexual por outros animais, ou até mesmo outros seres vivos e objetos.

É mais adequado dizer homoafetividade do que homossexualidade; assim como heteroafetividade, em substituição ao termo heterossexualidade, e assim por diante. Isso porque o sufixo “-sexual” tende a compreender que essas relações se reduzem unicamente a tal aspecto (o sexual), o que não pode ser utilizado como regra.

Quanto ao termo “homossexualismo”, cada vez mais em desuso, ele é incorreto, uma vez que o sufixo “ismo” sugere que essa orientação sexual é uma doença, o que não pode ser considerado verdade sem que existam provas concretas disso.

Quanto ao terceiro aspecto, o papel sexual, ele está relacionado ao comportamento de gênero que a pessoa desempenha na sociedade. Assim, envolve muitos clichês, como por exemplo:


1- Uma mulher “feminina”: ou seja, que se comporta de forma condizente com o que a sociedade geralmente espera dela, nesse sentido – se maquia, é delicada, enfim...;

2- Uma mulher que não é vaidosa e gosta de esportes violentos, é “masculinizada”;

3- Um homem delicado, sensível, “afeminado”;

4- Um homem rude, viril, é “masculino”, “másculo”;


O papel sexual não necessariamente se apresenta relacionado à orientação sexual, tal como a priori possa parecer. Assim, nesses quatro exemplos, todos eles podem ser heterossexuais. Ou, por exemplo, o “homem másculo” pode ter atração por outros homens (orientação homo, bi ou pansexual), embora seu papel sexual mostre o contrário.

Finalmente, temos o quarto aspecto: a identidade sexual, que seria a forma como o indivíduo se percebe em relação ao gênero que possui.

Quando a pessoa de determinado gênero se sente mais como se fosse de outro, independentemente de sua orientação sexual (às vezes até mesmo de seu papel sexual), falamos que ela é transexual. Pontualmente falando, transexual seria aquele cuja identidade sexual não é a mesma que seu sexo biológico; sendo normalmente aquele que recorre a cirurgias de mudança de sexo. Logo, transexuais costumam sentir atração por pessoas do mesmo gênero que o seu (ex.: pessoa de gênero masculino, identidade sexual feminina, e que se sente atraída por indivíduos de gênero masculino), mas vale frisar novamente que, quando o assunto é sexualidade humana, não existem regras muito categóricas.

Transexuais e travestis não são a mesma coisa! Estes últimos são aqueles cuja identidade sexual é mista, se sentem tanto homens quanto mulheres. Assim, costumam vestir-se e se comportar como se fossem do gênero oposto (papel sexual), “equilibrando sua 'dupla identidade'”.


Observação:

Em 05/05/2011, em nosso país, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união estável entre casais do mesmo sexo como entidade familiar; permitindo com que tenham os mesmos direitos que envolvem uma união estável entre indivíduos do sexo oposto.


Curiosidade:

No Brasil, a sigla referente à diversidade sexual é a LGBT, sigla para lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros. Este último termo engloba os travestis e transexuais.

Agora você já sabe o que cada uma dessas expressões significa, não é mesmo?


Por Mariana Araguaia
Bióloga, especialista em Educação Ambiental
Equipe Brasil Escola

domingo, 2 de dezembro de 2012

O que o movimento LGBT tem feito pelas/pelos travestis e transexuais?


Este texto aborda uma questão muito importante na luta das transexuais e travestis por seus direitos, resolvi compatilhá-lo, pois é uma visão muito clara sobre algumas divergências que acontecem dentro do próprio movimento LGBT em relação as necessidades reais de transexuais e travestis.


Ótimo blog, recomendo a todos : http://alegriafalhada.blogspot.com.br/



Por Daniela Andrade, autora do blog Alegria falhada.

Vejo a todo momento esse movimento que se diz LGBT excluindo travestis e transexuais. Aliás, a grande maioria nem sabe o que é travestilidade/transexualidade. Acham que todos(as) somos gays/lésbicas.

Sabemos que o movimento LGBT empunha a bandeira da igualdade, quando promovem uma parada GAY, estão lutando pela aprovação do casamento GAY, estão lutando pela criminalização da HOMOFOBIA (o que é transfobia? pois mesmo quando há crimes transfóbicos, vejo os gays dizerem que é homofobia). E os direitos dos(as) transexuais/travestis, onde ficam?

Vi em diversas páginas no Facebook, que se dizem LGBT, posts escrito: "18 ativistas homossexuais assassinados até agora". Aí você vai ver a lista, tem travesti e transexual no meio. Ou seja, quando é pra inchar estatísticas de mortes de gays, vamos colocar transexual e travesti na história. Infelizmente não vejo articulação, salvaguardando raras exceções, do movimento LGBT em prol das travestis e transexuais. Quando não, o que vemos é preconceitos dos gays (transfobia) inclusive nas tais das paradas gays (vide Parada Gay de Piracicaba de 2012, em que excluíram travestis dos carros).

E digo uma coisa, sofri/sofro bastante preconceito por parte dos gays. Já me falaram coisas do tipo "você só será mulher pra mim quando se operar" - e olha, vindo da boca de gay. Acho incrível, pra não dizer patético, que pessoas que sejam tão excluídas na sociedade, sejam também as que nos excluem.

E, falando em movimentos de pessoas excluídas, estendo minha crítica também a muitos movimentos que se dizem feministas, o que há de integrantes achando que Travestis e Mulheres Transexuais não são mulheres ("de verdade") e logo, vamos esquecer elas na nossa luta, não tá no gibi.

A solução, por exemplo, seria um grupo que se diz fundamental para o movimento... LGBT, que é o GGB (Grupo Gay da Bahia) parar de noticiar num blog bem famoso (http://homofobiamata.wordpress.com/) as mortes de travestis e transexuais para inchar os dados. Reparem que inclusive o nome do blog ignora que haja algo além de homofobia.

Entro nesse blog e tá lá a notícia nua e crua, tal e qual foi pinçada da fonte da grande mídia: desrespeitando a todo momento a identidade de gênero das travestis e transexuais. Quer dizer, a pessoa foi morta geralmente de forma horrenda, mas não tem direito nem a ter a identidade respeitada. É "o" travesti... Não! Nâo é "o" travesti pois não estamos falando de um homossexual com roupas de mulher - apesar que grande parte dos gays pensem assim. E vamos informar nossos leitores de que transfobia também existe, nem tudo se resume à homofobia. E não venham dizer que "estamos apenas reproduzindo a notícia", por que quem reproduz notícia arca com a responsabilidade do que informa. Ainda mais dizendo lutar pelos excluídos.

Eu acho uma palhaçada o que grande parte desses movimentos fazem em relação às/aos TTs e dizem ainda ser LGBT. Vamos tirar essa cortina de preconceito da nossa frente e vamos ser mais realistas.

A alternativa é começar a capacitar essa militância a aprender mais, parar de achar que tudo se resume à homossexualidade, homofobia, casamento gay. Acho tudo isso muito importante, jamais deixaria alguém falar nada de preconceituoso contra os gays, mas a recíproca, muitas vezes não vejo verdadeira. Inclusive, a maioria dessas pessoas não sabem quais são as necessidades específicas de travestis e transexuais.

As paradas gays tem encampado a luta pela despatologização da transexualidade?

Os gays têm lutado para que travestis e transexuais tenham direito a usar o nome social em todos os ambientes?

Os gays têm lutado para que travestis e transexuais tenham direito ao acesso universal à hormonização em todo o sistema público?

Os gays têm lutado pela ampliação e melhoria das cirurgias de transgenitalização no Brasil (lembrando que apenas 4 hospitais em todo o país realizam esse procedimento, onde transexuais amargam anos a fio na fila de espera)?

Os gays têm lutado para que travestis tenham acesso a um sistema de saúde que atenda suas necessidades no que ampara a retirada de silicone industrial do corpo dessas pessoas?

Os gays têm lutado pela inserção e visiblidade de travestis e transexuais?

Se tem, mostrem para mim onde, pois vejo travestis e transexuais lutando sozinhas, mas os gays querem chamar o movimento de LGBT.

Eu trouxe aqui questionamentos ímpares no que diz respeito aos direitos de travestis e transexuais que são desrespeitados o tempo todo - e que não o são no caso de gays, por exemplo e gostaria de saber se inclusive os movimentos que se dizem LGBT sabem quais são as necessidades que dizem respeito apenas a travestis e transexuais. E questionei onde estão as ações dos movimentos LGBTs como um todo, por isso fiz a generalização. Não adianta me responderem com fatos isolados. Sim, eu vejo um ou outro movimento inclusive sabendo o que é travestilidade/transexualidade: o que é um marco, mas o que eu digo é que é muito pouco. Esses movimentos deveriam sair de dentro do conforto do debate APENAS da orientação sexual.

E vou dizer outra coisa, o movimento LGBT se chocou quando a VEJA publicou aquele famoso texto sobre gays e cabras - e com razão, mas o que fez esse movimento quando pouco tempo depois foi publicado também num veículo de grande expressão (Revista Época) um texto do Walcir Carrasco em que na pretensa atitude de falar bem de travestis e transexuais, perpetuou preconceitos, tratou-as como homens travestidos, desrespeitou identidade de gênero e escreveu que é um crime se hormonizarem jovens - bem demonstrando não saber o que significa a hormonização na vida de uma travesti ou transexual.

Mostrem para mim onde há tantas manifestações do movimento LGBT criticando esse texto, pois eu ainda não achei. Mas para o texto da VEJA houve uma comoção. Eu penso o seguinte, estamos do mesmo lado da luta, mas parece que uns são mais preferidos que outros.

Vamos falar para toda essa gente ir estudar antes de abrir a boca pra falar que está defendendo o movimento LGBT. Nem precisa ler muito não, basta sair da preguiça e do ostracismo pra ver algo além do umbigo.

Eu luto e continuarei a lutar para que travestis e transexuais sejam vistos/vistas dignamente, mas isso parte da quebra de estereótipos de que há um movimento LGBT coeso, pois não há. Essa é a realidade nua e crua: TTs são invisibilizados(as) por todos os movimentos.

E não, não estou satisfeita, mas sim, procuro levar informação ao máximo possível de pessoas. A todas as formas de preconceito eu respondo com informação - assim como conheço centenas de TTs que lutam diariamente para mostrar que nós existimos, que temos direitos ignorados e que esse movimento LGBT precisa nos dar voz, que essas pessoas que se dizem militantes precisam estudar algo além de orientação sexual.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Cirurgia encerra drama de transexual – e da medicina


Cirurgia FTM : feminino para masculino

Alexandra dos Santos será 1ª brasileira a passar por operação de mudança de sexo paga pelo SUS. Há 15 anos, intervenção podia ser considerada crime
No início do próximo mês, a autônoma Alexandra Peixe dos Santos, de 38 anos, vai se deitar em uma mesa cirúrgica do Hospital Pérola Byington, em São Paulo, para se submeter a um procedimento pouco comum, que deve durar duas horas. Do centro cirúrgico, sairá diferente: sem útero, ovários e trompas. Em data ainda a ser definida, passará pela extração das mamas. Os procedimentos constituem o passo mais contundente da transformação de Alexandra em Alexandre, ou Xande, primeiro transexual feminino do país a realizar uma cirurgia de mudança de sexo custeada pelo Sistema Único de Saúde – entre os homens, a prática existe desde 2008. Cada intervenção para retirada dos órgãos reprodutivos femininos (histerectomia total) e da mama (mastectomia) vai custar aos cofres públicos 717,90 reais e 462,80 reais, respectivamente.
Para Xande, a realização da cirurgia representa o último ato de uma peça ruim, em que ele – Alexandra faz questão de ser tratada pelo pronome masculino – encarna o personagem errado. “Desde criança, me entendo como menino”, diz. Cedo, refutou o nome Alexandra: preferia Júnior. No primeiro dia de aula, foi parar na fila dos meninos. “Eu não entendia por que meu lugar era junto às meninas.” A escola, aliás, foi o principal palco do descompasso com o corpo nos primeiros anos. Nas aulas de educação física, a menina queria compor o time de futebol – exclusividade masculina. “Era difícil até mesmo ir ao banheiro: a qual eu deveria ir?”, lembra. O drama do personagem bipartido cresceu à medida que seu corpo se desenvolvia. A partir da adolescência, com as mudanças próprias da fase, tudo se complicou. Com um instrutor de uma academia de ginástica, teve acesso a hormônios masculinos, que engrossaram a voz, interromperam a menstruação e fizeram nascer pelos no rosto. Sem a devida orientação médica, acabou impondo mais dor ao corpo que queria transformar. “Tomei doses excessivas de hormônios e sofri dois derrames em menos de quinze dias”, diz.
Para a medicina, a cirurgia também é o desenlace de um drama. Em 1975, quando a primeira operação desse tipo veio a público, o médico responsável pelo feito, o cirurgião plástico Roberto Farina, chegou a ser condenado por lesão corporal grave, enquadrado no Código Penal Brasileiro. Quem quisesse se submeter ao procedimento, portanto, tinha de fazê-lo de forma clandestina, ou viajar a países com tradição no assunto, caso de Tailândia, Grã-Bretanha, Marrocos e Equador. Mas a demanda pelas intervenções fez com que os profissionais de saúde paulatinamente repensassem suas posições. Em 1997, a cirurgia foi reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina em caráter experimental. No ano seguinte, o urologista Carlos Cury, de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, realizou as primeiras operações: no mesmo dia, retirou o órgão genital de dois homens. Em 2002, a prática deixou de ser experimental. Por fim, em 2008, o Ministério da Saúde deu ao tema status de questão de saúde pública, ao assumir os custos da cirurgia de mudança de sexo entre homens e, no final do ano passado, entre mulheres. É o fim de um ciclo.
Transtorno, não doença – A incompatibilidade entre corpo e mente não é uma peculiaridade de Xande. Segundo Luis Pereira Justo, psiquiatra do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids (CRT), da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, a incômoda sensação de ocupar a estrutura física errada é comum aos transexuais. “A pessoa sente vergonha, constrangimento e, muitas vezes, não consegue nem ao menos saber quem na verdade é. Não é uma questão de comportamento sexual, mas de identidade de gênero”, diz. “Trata-se de um transtorno de gênero, não uma doença.” Em meio à turbulência, a identificação se faz, então, com o papel socialmente apropriado ao sexo oposto. Isso, defende o psiquiatra, acarreta pressões psicológicas, familiares e sociais, já que não se corresponde ao figurino esperado. Para alguém como Xande, possuir seios é um transtorno. Cultivar a barba, um desejo. É algo completamente distinto da homossexualidade. “Nela um homem, por exemplo, se aceita enquanto homem, mas seu desejo sexual recai sobre outro homem. Já o transexual não aceita o corpo que tem, não se vê refletido nele. Essa condição é entendida como uma patologia pela Organização Mundial da Saúde”, diz Quetie Mariano Monteiro, psicóloga do Departamento de Sexologia do Hospital Pérola Byington.
Esse é o perfil das centenas de transexuais que aguardam na fila de espera pela mudança no corpo. Só no Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais, do CRT de São Paulo, foram 580 atendimentos desde 2009, ano da inauguração do serviço – apenas 31 são transexuais femininos, como Xande, que passou por ali. O CRT é responsável no estado por emitir os laudos que autorizam a cirurgia bancada pelo SUS. É uma exigência do Conselho Federal de Medicina. Sem o documento, a operação, custeada com dinheiro público ou privado, é proibida. Há mais três centros de triagem no país. O de Porto Alegre já registrou 250 interesssados e interessadas na cirurgia desde 1999.
A emissão do laudo encerra um processo que se estende por dois anos, durante os quais as condições físicas, mentais, sentimentais e sociais do candidato à cirurgia são esquadrinhadas até semanalmente por psicólogos, psiquiatras, endocrinologistas e assistentes sociais. O objetivo é rastrear pistas que permitam prever casos em que o paciente não está preparado para o procedimento cirúrgico e tudo o que ele acarreta. Um diagnóstico errado de transexualismo pode, como é fácil prever, desencadear problemas irreversíveis e há até registros de suicídio. “O acompanhamento do candidato até a cirurgia é um processo longo e delicado”, define Maria Filomena Cernicchiaro, diretora do CRT.
Até mesmo os profissionais de saúde ainda se adaptam aos procedimentos necessários envolvidos. A equipe do Hospital Pérola Byington, por exemplo, onde será feita a cirurgia de Xande, passou por um treinamento especializado, com o objetivo de realizar duas intervenções mensais. “A saúde pública tem de se preparar para atender os transexuais”, diz a chefe do Departamento de Sexologia da instituição, Tânia Mauadie Santana. No caso do procedimento em sentido inverso – do sexo masculino para o feminino –, há mais expertise: desde agosto de 2008, 84 cirurgias já foram realizados pelo SUS, ao custo total de 109.200 reais. “O estado arca com a cirurgia porque o transtorno implica sofrimento e incapacitação para essas pessoas”, diz Justo.
Acompanhamento familiar – Em sua longa jornada rumo ao ato final, Xande não conta apenas com a companhia dos profissionais de saúde e assistência social. A seu lado, estão a filha, Bruna, de 19 anos, a irmã, Celine, e a namorada, M., de 40, que prefere não revelar sua identidade. M. está com Xande há quatro anos, aguarda a operação com ansiedade e não esconde que o procedimento trará alívio para ambos. “Hoje, não somos vistos como um casal heterossexual, porque, em geral, as pessoas não compreendem o que é a transexualidade”, diz. “Ele nasceu num corpo inadequado, e a cirurgia vai tirar dos ombros dele um peso desnecessário.”
Bruna é fruto de uma relação de Xande com um amigo. “À época, minha companheira não podia engravidar. Então, tive uma relação com esse amigo. Tudo foi planejado”, conta Xande. “Como era esperado, sofri com mudanças no corpo e não consegui amamentá-la. Mas valeu muito a pena.” “Pai” e filha terão de enfrentar os trâmites legais brasileiros. Com o laudo do transexualismo em mãos, Xande já deu entrada no processo para mudança de nome. Depois da aprovação por um juiz, passará oficialmente a se chamar Alexandre Peixe dos Santos. Mas os documentos de Bruna não poderão ser mudados – ou seja, Alexandra continuará sendo legalmente sua mãe. É uma situação insólita. Segundo Sérgio Eduardo Fisher, vice-presidente da OAB do Rio de Janeiro e especialista em direito de família, à luz da lei, os dados relativos à filiação dos brasileiros são imutáveis em documentos nacionais. “Essa informação só pode ser alterada em casos de investigação de paternidade e adoção. Em situações de transexualismo dos genitores, não”, diz. É um caso em que os avanços da medicina ainda não foram acompanhados pelas mudanças na lei.
Veja abaixo infográficos explicando as etapas para a cirurgia:
Fonte: Veja

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

* Translesbianismo * e outras explicações




Muita gente vem confundindo orientação sexual com identidade de gênero. Me perguntam oque eu sou, hétero, bi, lésbica, gay.
Bom, primeiramente sou transexual, intimamente e externamente sempre me senti como mulher, mas nasci em um corpo masculino. E para por ai, transexual é isso, você nasce com um corpo diferente do seu gênero, independente da sua orientação sexual.
Agora, sendo transexual, a pessoa é livre pra ter sua orientação sexual, com quem vai se relacionar, no meu caso nasci em um corpo masculino, mas meu gênero é feminino e sempre me relacionei com mulheres, dai surge a palavra translesbianismo, transexual + lésbica, se no caso eu me relacionasse com homens héteros, eu seria uma trans hétero, pois estaria me relacionando com gênero oposto ao meu.

                                                           
                                                            Glossário LGBT

Homossexual - Homossexualidade É a atração física, emocional entre seres do mesmo sexo, com eventual inversão de papeis de gênero (sexo).


Bissexual - Bissexualidade É a atração física e/ou emocional entre pessoas tanto do mesmo sexo como do sexo oposto.

Heterossexual - Heterossexualidade É a atração física e/ou emocional entre pessoas de sexo opostos.

Metrossexual - Metrossexualidade Trata-se Vulgarmente, da exacerbação da beleza física do homem, quer através de tratamentos de pele e corpo, quer da prática de exercício físico apenas para manter a forma, quer inclusivamente de solários, depilações definitivas, pinturas faciais e gosto por bem vestir, não se pode comparar com o que se aplica à homossexualidade ou mesmo à transsexualidade, na medida em que um homem que goste de si não precisa necessariamente de gostar de outros homens ou de se fazer passar por uma mulher.

Úberssexual é a pessoa que é extremamente confiante, mas sem ser insuportável, é másculo, tem estilo e é compromissado com a qualidade em todas as áreas da vida.

Panssexual é uma pessoa que só pensa em sexo, que faz sexo com qualquer coisa. Adultos, velhos, animais, objetos, plantas, etc.

Tecnossexual É a pessoa que não descuida da aparência mas adora tecnologia sem parecer o nerd típico.

Transsexual - Transsexualidade É um individuo que se sente dentro de um corpo que pertence a outro gênero(sexo). OU seja ele tem a sensação de que pertence a um sexo que não esta de acordo com seu sexo de nascimento ( biológico).

Andrógino é aquele(a) que tem características físicas e, em aditivo, as comportamentais de ambos os sexos.

Travesti é uma pessoa que apresenta sua identidade de gênero oposta ao sexo designado no nascimento, mas que não almeja se submeter à Cirurgia de Redesignação Sexual

Crossdresser são indivíduos que gostam de utilizar roupas usualmente próprias do sexo oposto, sem que tal atitude interfira necessariamente em sua orientação sexual.

Drag queen e drag king são pessoas que se mascaram como sendo do sexo oposto, fantasiando-se com o intuito geralmente profissional de fazer shows e apresentações, na maioria das vezes em boates e bares GLBTT, de cujo movimento fazem parte. Embora na maioria das vezes os drag queens e kings sejam homossexuais (gays ou lésbicas), essa orientação sexual nem sempre é a norma.

Intersexual é a pessoa que nasceu fisicamente entre (inter) o sexo masculino e o feminino, tendo parcial ou completamente desenvolvidos ambos os órgãos sexuais, ou um predominando sobre o outro. No entanto, a ambiguidade física das pessoas intersexo pode não se ficar pelo aspecto visual dos genitais.

Transgênero normalmente refere-se às pessoas cuja expressão de gênero não corresponde ao papel social atribuído ao gênero designado para elas no nascimento. Mais recentemente o termo também têm sido utilizado para definir pessoas que estão constantemente em trânsito entre um gênero e outro.

Gay (ou mais raramente guei) é uma palavra de origem inglesa que é usada normalmente para se designar as relações sexuais e /ou emocionais entre homens.

Lésbica Refere-se a relações sexuais e /ou emocionais entre mulheres. As lésbicas têm ou preferem ter romances e relações sexuais com outras mulheres.

Swinger O swing ou troca de casais é um relacionamento sexual entre dois casais estáveis que praticam sexo grupal. Existem correntes que consideram o swing quando um casal adiciona um ou mais elementos numa relação sexual.

Voyeur Voyeurismo é uma prática que consiste num indivíduo conseguir obter prazer sexual através da observação de outras pessoas. Essas pessoas podem estar envolvidas em atos sexuais, nuas, em roupa interior, ou com qualquer vestuário que seja apelativo para o indivíduo em questão.


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Travestis e transexuais não se limitam à definição médica


A partir de estudo feito com travestis e transexuais, o antropólogo Bruno Cesar Barbosa concluiu que pessoas que praticam transformações de gênero utilizam uma diversidade de categorias em seu cotidiano. Segundo o pesquisador, elas utilizam uma série de categorias para definição do que são, das categorias travesti e transexual, até outras como trans e transex, ou categorias ligadas à homossexualidade como gay e homossexual.

Pesquisador defende que transexuais e travestis são construções sociais

O autor defende que estas categorias são construções sociais. No entanto, as definições médicas, baseadas em manuais internacionais e em organizações internacionais como a Organização Mundial de Saúde (OMS), encontram maior legitimidade no uso cotidiano destas pessoas para definirem suas vivências. Segundo estas definições médicas, uma/um travesti seria aquele (a) que se comporta e se veste como o outro gênero, mas não quer a cirurgia para mudar seu órgão sexual. Já os/as transexuais, sentem a necessidade de fazer a cirurgia, pois se sentem do outro gênero desde o nascimento
“A operação é recorrente na fala e é um elemento central na produção das diferenças entre travestis e transexuais. Mas ela (a definição médica) pode ser contraposta por outros fatores” afirma Barbosa, que também ressalta a importância de elementos como diferenças de classe, cor e geração na construção da imagem das categorias travesti e transexual. Barbosa exemplifica dizendo que um dos típicos estereótipos criados e ligados às travestis é de que são pobres, negras, prostitutas e marginais; enquanto que as transexuais são ligadas as classes médias e altas, exemplificado pelo uso de termos “fina” e “educada” pelas pessoas pesquisadas, e são vistas como mais mulheres em relação as travestis.
Mesmo os médicos incorporam esses estereótipos ao associar a característica de “safadeza” às travestis, como Barbosa relata: “Se a pessoa é da prostituição, por exemplo, já pode ser um motivo para dizer que ela não é transexual, porque quer dizer que ela utiliza o órgão sexual dela para prazer. E “safadeza” pode virar também, neste sentido, um signo de masculinidade. A imagem de uma ‘mulher de verdade’ constrói o que é ser transexual para os médicos, assim como para muitas pessoas que se dizem transexuais”.
Em sua pesquisa, que foi defendida como sua dissertação pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o antropólogo observou que estas pessoas utilizam uma série de categorias que tem relação com as situações que elas vivenciam no cotidiano. Neste uso, tais pessoas não se prendem às definições médicas, mas também associam convenções de gênero, sexualidade, classe e raça.
Terças Trans
O pesquisador conciliou seus conhecimentos na sua área de estudo com o convívio por dois anos com transexuais e travestis em reuniões denominadas Terças Trans, que ocorrem quinzenalmente no Centro de Referência em Diversidade (CRD), um equipamento social direcionado para o grupo LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) na cidade de São Paulo.
Nos encontros, Barbosa observou as interações e debates entre as participantes, além de coletar narrativas de história de vida de três delas. O pesquisador pôde estudar suas vivências de sexualidade e gênero e procurou compreender outras características das participantes que as faziam classificar a si mesmas como travesti ou transexual.
Barbosa notou que as pessoas não se fechavam ao conceito clínico das categorias. A categoria em que se encaixavam variava com a situação social que a pessoa vivenciou, ao mesmo tempo em que ela poderia se identificar diferentemente ao longo da sua vida.
Ele cita o caso de um dos participantes das reuniões, Carla*. Ela já se identificou de várias formas em sua vida: travesti, transexual, trans, performer, homossexual. Hoje ela diz que descobriu ser intersexo — termo usado para quem pode ter ambos os órgãos sexuais parcial ou completamente desenvolvidos. Barbosa destaca que, nos encontros, Carla conseguia se dizer transexual sem perder a legitimidade diante das outras.
O fato curioso dessa situação é que Carla não é operada, o que é considerado um fator importante para as participantes como a “prova da transexualidade”. Como Carla é branca, tem uma fala articulada, e tem um histórico de artista entre as participantes, sendo vista como um feminino “bem sucedido”, as outras não a viam como travesti.
Com casos como esse, o pesquisador percebeu que as próprias participantes traziam as imagens que a sociedade cria em torno das categorias ao se definirem e ao classificarem as outras participantes. Barbosa diz que nas relações entre elas há a construção de uma hierarquia de gênero, no qual transexuais são vista como “mais mulheres” em relação às travestis. Estas, por sua vez, acabam relacionadas a aspectos masculinos, que são moralmente rebaixados para algumas das participantes, como uma sexualidade exagerada e um feminino mal sucedido.

*Nome fictício

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Transexualidade, Transexualismo, Síndrome de Harry Benjamin ou Transtorno de Identidade de Gênero



são expressões diferentes para um mesmo conceito: a condição na qual o indivíduo se identifica psicologicamente como sendo do gênero oposto ao seu sexo biológico e sente impropriedade em relação às próprias características corporais e originais do seu sexo biológico. Esta condição de discrepância entre sexo biológico e identidade de gênero, por via de regra, gera um desconforto emocional e psicológico ao transexual, por isso existe a iniciativa de “transitar” (por meio de tratamento hormonal e cirurgias de redesignação sexual) de um gênero anatômico a outro.

Um transexual female-to-male (FTM, homem transexual) é alguém que sente que o seu gênero é masculino, embora tenha nascido com corpo feminino; um transexual male-to-female (MTF, mulher transexual) é a pessoa que sente que o seu gênero é feminino, embora tenha nascido com corpo masculino. Os intersexuais (hermafroditas), pessoas com características físicas ou genéticas de um sexo indefinido, não são a priori considerados transexuais.

Muitas vezes os transexuais sabem que se sentem do gênero oposto ao sexo biológico desde que são crianças, expressam o desejo de pertencer gênero oposto ao sexo biológico, preferem brinquedos ou brincadeiras do sexo biológico oposto, entre outras coisas. Por exemplo, um menino transexual pode expressar o desejo de se vestir com roupas de menino, preferir carrinhos a bonecas, futebol a brincar de casinha.

Contudo, apesar de que transexuais muitas vezes apresentem estes desejos quando crianças, não necessariamente uma criança que expresse esses desejos é transexual. Existem crianças que podem expressar desejos e incertezas com relação ao gênero ao qual pertencem, mas que perdem o interesse em pertencer ao sexo oposto durante a adolescência.

Também há casos em que um transexual apenas começa a expressar o desejo de pertencer ao gênero oposto ao seu sexo genético já na adolescência, ou na fase adulta.

Algumas pessoas definem “transexual” como uma pessoa que passou por cirurgia de redesignação sexual, algo equivocado. Não necessariamente uma pessoa cuja identidade de gênero é oposta ao sexo biológico irá passar por todas as cirurgias de redesignação sexual, e há os que ainda não transitaram de um gênero anatômico e social a outro, mas vão transitar. Transexual é o indivíduo que apresenta características de disforia de gênero independente de ter feito cirurgia.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Transexuais e Travestis: Qual a diferença?


De uns tempos pra cá, uma palavrinha apareceu nas siglas de movimento gay, que deixaram de usar o comercial GLS, para uma sigla mais de luta, de reinvindicação – GLBT, GLTTB, GLT2, à escolha do freguês... A novidade em todas elas é o T, que acabou na prática juntando num mesmo saco duas coisas totalmente diferentes e trazendo mais confusão para um assunto que muito gente já achava complicado. A palavrinha é Transgêneros.
E não, não estou falando de soja.
Transgêneros surgiu para englobar Transexuais e Travestis. E, cá entre nós, prestou só um desserviço. Porque muita gente que não tem contato com o meio gay (e MUITAS que tem!) acaba achando que os dois são a mesma coisa– e não são. 
E pra explicar isso, vou me apropriar aqui de algumas definições do Dr. Cláudio Picazio, sexólogo, que conseguiu isolar os quatro pilares da sexualidade humana e explicar como que esses pilares se combinam, formando as mais diferentes variações de gênero, identidades, papéis e orientações sexuais. 
Gênero é o seu sexo biológico. É o que o médico vê quando você nasce. Biluzinho ou potoquinha. São dois: Homem e Mulher. 
Orientação Sexual tem a ver com desejo, com atração. Com quem você quer ir pra cama? Com alguém do seu sexo? Com alguém do sexo oposto? Tanto faz? São três, respectivamente: Homossexual, Heterossexual e Bissexual.
Papel Sexual tem a ver com comportamento. Você é mais masculino ou mais feminino? Uma mulher caminhoneira está num papel masculino. Um homem que pinta as unhas está num papel feminino. Note que Papel Sexual não tem nada a ver a com Orientação Sexual – ou seja, um homem efeminado ou uma mulher masculinizada não necessariamente são homossexuais. Assim como um cara todo machinho não é necessariamente hetero. Papéis sexuais são grande fonte de discriminação, uma vez que é exatamente como a sociedade percebe você. E se esse papel não está em acordo com o que se espera do seu Gênero, o povo se escandaliza. 
Ou inventa coisas como os metrossexuais, por exemplo, pra poder absorver homens em papéis mais delicados.
Mas o mais complicado dos pilares é o da Identidade Sexual. E é exatamente ele o responsável pelos travestis e transexuais, ainda que de forma diferente. Identidade Sexual é como você se percebe. Alguns chamam de sexo cerebral. Na sua cabeça, você acha que é o que? Homem ou Mulher? Um menino hetero típico tem gênero masculino, papel masculino, orientação heterossexual e identidade é masculina. Ponto. Mas um e-jovem típico, enrustido, tem gênero masculino, papel masculino, orientação homossexual e uma identidade também masculina. Ele não quer ser mulher, ele só curte outros garotos. A única diferença entre um menino gay e um hetero é sua orientação sexual. E o mesmo vale pras meninas hetero e lésbicas e entre todos estes e os bissexuais. 
No caso das transexuais, porém, a identidade sexual não está de acordo com o seu sexo biológico. Independente do gênero (podem nascer homens ou mulheres), papel (tem os mais masculinos até os bem efeminados) e orientação (existem transexuais hetero e transexuais homo), o que define o transexual é que seu corpo é de um sexo, mas seu cérebro é de outro. São mulheres presas num corpo de homem, ou vice versa.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

COMPORTAMENTO: Transexualidade: uma verdade incontestável



O transexualismo é uma realidade para muitas pessoas que buscam sua felicidade na mudança definitiva de sexo e identidade. É a contradição de uma imagem fictícia e uma verdade incontestável. Pessoas que apresentam um comprometimento emocional e insatisfação sexual por conta da incompatibilidade quanto “àquilo” que são de fato e o que o corpo apresenta.


O que me chama a atenção é que a transexualidade não é um fenômeno, porque não é extraordinário, mas uma constatação que discutir sexualidade vai muito além do sexo. É compreender mais sobre a constituição de identidade do que, meramente, órgãos sexuais. O transexual prova que seu destino não é traçado na maternidade, me permita assim o poeta.

Conforme o CID-10 (classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados com a saúde), trata-se de um desejo de viver e ser aceito enquanto pessoa do sexo oposto. Este desejo é reprimido por conta de um sentimento de mal estar ou de insatisfação em relação aos próprios genitais, envergonha-se evitando tocá-los. As frustrações no ato sexual são inevitáveis.

De fato, os comprometimentos emocionais por conta desta confusão na identidade de gênero pode levar a um embotamento afetivo, isolamento social e a uma condição cada vez mais marginalizada. A identidade de gênero é a maneira como a pessoa se sente, se identifica e se apresenta para si e para os outros e independe do sexo biológico. O conflito do transexual é não se sentir completamente uma mulher porque o corpo masculino não corresponde à subjetividade feminina ou vice-versa.

Existem ainda algumas variações sexuais que num primeiro momento podem confundir-se ao transexualismo: o travestismo e o crossdresser. No travestismo, as pessoas se vestem como o sexo oposto e possui um ingrediente prazeroso em sentir-se como tal. O crossdresser é parecido com o travestismo, mas não implica, necessariamente, na orientação homossexual. Caso mais conhecido é o cartunista Laerte, exemplo de crossdresser.

A questão é que sentir-se masculino ou feminino difere de sentir-se homem ou mulher, até porque estas últimas classificações são estereotipadas e reforçam a dicotomia social. O que determina a existência de uma pessoa é identificar-se com seus desejos, encontrar-se com as próprias referências e assumi-las, ou seja, masculino ou feminino.

No caso dos transexuais admite-se a diferença sexual alicerçada pela identidade de gênero, logo, ter um pênis ou uma vagina pode ser uma exigência pessoal. É então que a cirurgia de redesignação de sexo ou transgenitalização é o caminho mais provável e, na maioria dos casos, providencial. No Brasil, desde 1997 este procedimento é gratuito. Mas é bom salientar que cada caso é estudado com muito cuidado e adotando todos os critérios possíveis e necessários, principalmente no que diz respeito à psicoterapia e aos requisitos médicos.

Depois de confirmado o diagnóstico de transexualismo, uma vez que a pessoa pode apresentar outros transtornos de personalidade concomitantes, iniciam-se os procedimentos fundamentais para a cirurgia. Hormonioterapia ajuda o indivíduo, aos poucos, renunciar as características sexuais contrárias de sua real identidade sexual. No caso do transexual homem para mulher, hormônios anti-endrogênios que promovem um atenuamento na voz e na pele, aumento de gordura e crescimento de mamas e eliminam pelos através da eletrólise, uma depilação definitiva. Quanto a cirurgia, são retirados os testículos e o pênis (penectomia). A vaginoplastia aproveita os tecidos internos e constitui uma neovagina. Ainda, o nariz é afinado e o pomo de adão retirado.

No transexual mulher para homem são administrados hormônios androgênios que promovem crescimento dos pelos, engrossamento da voz e ganho de massa muscular, e na cirurgia é feito o procedimento de mastectomia (retirada das mamas); histerectomia (retirada do útero) e oforectomia (retirada dos ovários). A faloplastia consiste em enxertos feitos para constituir um neofalo e, com ajuda de uma prótese, deixá-lo ereto.

O impacto é grande na vida das pessoas que se submetem a estes procedimentos e, ainda assim, mesmo depois de todo este sacrifício deve-se superar uma etapa não menos dolorosa, o preconceito. O transexual ainda possui muita dificuldade em se relacionar com alguém que compreenda o conflito vivido e a nova existência. No entanto, a sociedade deve acolher estas pessoas que desmistificam os determinismos genéticos, quebram estereótipos e classificações sociais e, provam que a identidade sexual não é uma característica secundária. Para o transexual, entre ser ou não ser, felicidade rima com reconhecimento e aceitação.

Breno Rosostolato é professor de Psicologia da FASM (Faculdade Santa Marcelina).

sexta-feira, 27 de julho de 2012

LGBTTTIAQ Identidade, orientação, gênero: quando a diversidade sexual exige um dicionário


Lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, intersexuais, assexuais e queers

Conceição Freitas - Correio Braziliense


Tudo poderia ser muito simples: o bebê que nasce com dois cromossomos XX, ovários, útero, trompas e vagina é uma menina com destino de mulher. E o que vem ao mundo com cromossomos XY, testículos e pênis é um menino com destino de homem. Mas quando se trata de ser humano, a simplicidade passa longe. Vai daí que o portador de órgãos genitais masculinos pode não se identificar com eles e idem para a portadora de órgãos genitais femininos. Ou pode gostar de suas ferramentas, mas só sentir prazer com ferramentas de mesmo gênero. Ou…

Até aí nenhuma novidade. Desde que o mundo é mundo, há homens que gostam de homens; mulheres, de mulher; de homens que gostam de homem e mulher; homem que tem prazer em se vestir de mulher e homem que quer ser mulher — quer extirpar o pênis e criar uma vagina. E com mulher a mesmíssima coisa. A novidade é que, depois do movimento feminista, do susto que o HIV causou na humanidade, da organização das minorias, a diversidade sexual saiu do submundo e ganhou nome, estudos, instituições de defesa, políticas públicas e paradas gays.

Ponham-se as letras juntas — LGBTTTIAQ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, intersexuais, assexuais e queers) — e dá-lhe confusão. É tanta que a 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (Brasília, de 5 a 9 de junho passado) começou tentando esclarecer afinal o que é orientação sexual e o que é identidade de gênero (leia quadro).

Muitos não sabem diferença entre um travesti e um transexual. Entre uma drag queen e um crossdresser. Não sabe que existe O travesti e A travesti e que essa diferença é de gênero (masculino e gênero feminino). O que não tem nada a ver com orientação sexual, que é para onde se orienta o desejo de sexo do cidadão ou da cidadã, se para o sexo oposto, o mesmo sexo, os dois. Uma coisa é como a pessoa se sente, (se feminina ou masculino), isso é identidade de gênero. A outra é com quem ela tem prazer, isso é orientação sexual. De todo modo, categorias e conceitos também superquestionados (leia box).

Seria simples se o humano fosse que nem os animais irracionais: a biologia define o sexo (ainda que haja pesquisadores apostando que existem, por exemplo chimpanzés gays). Lá se vão mais de 30 anos, e já não era nenhuma novidade, quando o antropólogo norte-americano Marshall Shallins disse que a sexualidade não é um fato biológico, “pois nenhuma satisfação pode ser obtida sem atos ou padrões socialmente definidos e contemplados, de acordo com um código simbólico, práticas sociais e propriedades culturais”. Ou seja: as experiências de um ser humano vão definir a sua orientação sexual e a sua identidade de gênero (se ele vai gostar de mulher ou de homem e se vai se identificar como um homem ou uma mulher, independentemente de ter pênis ou vagina).

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Transexualidade, Disforia de Gênero, Transtorno de Identidade de Gênero




O que é transexualidade?

Transexualidade, Transexualismo, Síndrome de Harry Benjamin, Transtorno de Identidade de Gênero, Disforia de Gênero ou ainda Disforia Neurodiscordante de Gênero são expressões referentes à mesma coisa: a condição na qual a pessoa se identifica psicologicamente como sendo do gênero oposto ao seu sexo genético e sente impropriedade em relação ao próprio corpo. Esta condição por via de regra gera um desconforto emocional e psicológico ao transexual, por isso existe a iniciativa de “transitar” (por meio de tratamento hormonal e cirurgias de redesignação sexual) de um gênero anatômico a outro. O termo clínico mais recomendado hoje em dia é Disforia de Gênero, bem como Transexualidade.

Um transexual female-to-male (FTM, homem transexual) é alguém que sente que o seu gênero é masculino, embora tenha nascido com corpo feminino; um transexual male-to-female (MTF, mulher transexual) é a pessoa que sente que o seu gênero é feminino, embora tenha nascido com corpo masculino.

Os intersexuais (hermafroditas), pessoas com características físicas ou genéticas de um sexo indefinido, não são a priori considerados transexuais.

Muitas vezes os transexuais sabem que se sentem do gênero oposto ao sexo biológico desde que são crianças (mais ou menos aos 6 anos de idade). Normalmente eles expressam o desejo de pertencer ao sexo oposto, preferem brinquedos ou brincadeiras do sexo oposto etc. Por exemplo, um menino transexual pode expressar o desejo de se vestir com roupas de menino, preferir carrinhos a bonecas, futebol a brincar de casinha.

Contudo, embora transexuais muitas vezes apresentem estes desejos quando crianças, não necessariamente uma criança que expresse esses desejos é transexual. Existem crianças que podem expressar esses desejos e incertezas com relação ao gênero ao qual pertencem, mas que perdem o interesse em pertencer ao sexo oposto durante a adolescência.

Também há casos em que um transexual apenas começa a expressar o desejo de pertencer ao gênero oposto ao seu sexo genético já na adolescência, ou na fase adulta.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Identidade de gênero



 (Oque é identidade de gênero)

Na sociedade, identidade de gênero se refere ao gênero em que a pessoa se identifica (i,e se ela se identifica como sendo um homem,uma mulher ou se ela vê a si como fora do convencional ) mas também pode ser usado para referir-se ao gênero que certa pessoa atribui ao indivíduo tendo como base oque tal pessoa reconhece como indicações de papel social de gênero (roupas, corte de cabelo, etc ). Identidade do gênero de base é geralmente formada aos três anos de idade e é extremamente difícil mudar depois disso.




(Identidade de gênero - além do superficial)

Na vasta maioria dos casos não há qualquer dificuldade em determinar sexo e gênero. A grande maioria dos seres humanos são considerados ou homens ou mulheres. Antes do século 20 o sexo de uma pessoa era determinado apenas pela aparência da genitália, mas quando passou-se a entender cromossomos e genes, estes passaram a ser usados para determinar o sexo. Normalmente, homens possuem genitália masculina e, um cromossomo X e um Y; e mulheres possuem genitália feminina e possuem dois cromossomos X. Entretanto algumas pessoas se consideram fora destas categorias, e alguns possuem combinações de cromossomos , hormônios, e genitália que não seguem as definições típicas de "homem" e "mulher". Estudos recentes sugerem que um em cada cem indivíduos podem ter um sexo atípico.




(Variantes na identidade de gênero)

Algumas pessoas sentem que sua identidade de gênero não corresponde com seu sexo biológico, sendo identificadas por pessoas transexuais ou pessoas intersexo em algumas situações. Como a sociedade insiste que os indivíduos devem seguir a maneira de expressão social (papel social de gênero) baseada no sexo estas pessoas sofrem uma pressão social adicional.
Por outro lado existem também indivíduos transgêneros em que a identidade de gênero não está conforme a norma social dos dois géneros macho/fêmea, idependentemente de terem ou não concordância com o sexo biológico com a maioria das suas manifestações de género social.




(Diferentes visões sobre identidade)

Existem diversos fatores que envolve a formação de identidades, como a diferença entre os diversos tipos de identidade. A primeira das identidades a considerada primordial é a identidade de gênero homem ou mulher, pois queira ou não as pessoas já rotulam as outras diante disso. Portanto diferentes tipos de identidade são produto da construção da sociedade e da história onde mantém se a relação de poder de acordo com o modelo essencialista, onde a identidade vem da biologia, o que você é, é resultado da sua genética e a ciência vai de acordo com esse modelo.
Há também o modelo de construtivismo em que a identidade é construída, transformada, pois não existem identidades que não passaram por mudanças ao longo dos anos e quando isso ocorre ela muda de acordo como é vista e interpretada pelos outros. Pois as transformações sociais são tão alarmantes quanto as tecnológicas, políticas e econômicas, então as identidades que encontram se em comflito então no interior dessas transformações.
Hoje em dia os conflitos são mais identitários (religião, cultura), em vez de ideológicos (comunismo, capitalismo), como já foi um dia.
Portanto, atualmente existem inúmeras formas de identidade e essas apesar de serem muitas vezes contraditórias elas acabam se cruzando e podem até se completarem.

Diferenças entre identidade gênero


Transexual é um indivíduo que possui uma identidade de gênero oposta ao sexo designado (normalmente no nascimento). Homens e mulheres transexuais fazem ou pretendem fazer uma transição de seu sexo de nascimento para o sexo oposto (sexo-alvo) com alguma ajuda médica (terapia de redesignação de gênero) para seu corpo.

Travesti era originalmente alguém que se vestia com roupas do sexo oposto para se apresentar em shows e espetáculos, mas essa prática passou a designar também o comportamento das drag queens e transformistas.

Drag queen e drag king são pessoas que se mascaram como sendo do sexo oposto, fantasiando-se com o intuito geralmente profissional de fazer shows e apresentações, na maioria das vezes em boates e bares GLBTT, de cujo movimento fazem parte. Muitos fazem também o trabalho profissional levando correio elegante. Chama-se drag queen o homem que se veste com roupas de mulher, e drag king a mulher que se veste como homem. São conhecidos pelos seus exageros no vestir, nos modos, na maquiagem e pelo estilo cômico de se apresentar.

Transformistas ou Crossdressers são pessoas que vestem roupas usualmente próprias do sexo oposto, sem que tal atitude interfira necessariamente em sua orientação sexual. Ou seja, uma pessoa crossdresser não necessariamente pautará sua orientação ou seu papel sexual em função desse seu fetiche por roupas do sexo oposto. Sendo assim, ele(a) pode ser heterossexual, homossexual ou bissexual.
Fonte(s):
http://passageirodomundo.blogspot.com/

domingo, 3 de junho de 2012

Texto sobre transexualismo



Transexualismo Masculino



Amanda V. Luna de Athayde

Ambulatório de Endocrinologia
Feminina, Instituto Estadual de
Diabetes de Endocrinologia Luiz
Capriglione (IEDE), Rio de Janeiro, RJ.


                                                                    RESUMO

O transexualismo masculino é uma condição que exige a atuação de profissionais de diversas áreas para o diagnóstico e tratamento. De vital importância é o correto diagnóstico, uma vez que o tratamento cirúrgico é irreversível e, se incorretamente indicado, pode levar até ao suicídio. Os elementos diagnósticos são essencialmente clínicos e um período-teste de observação de dois anos é recomendado antes da realização da cirurgia. Nesse período são utilizados recursos psicoterápicos e prescrita medicação anti-androgênica e estrogênica para adequação dos caracteres sexuais secundários. No presente artigo de revisão são abordados os conceitos necessários à conduta nos casos de transexualismo, bem como as opções terapêuticas disponíveis.
Unitermos: Transexualismo; Papel de gênero; Antiandrogênios; Estrogênios.

ABSTRACT
Male transsexualism is a condition involving the cooperation of multiple specialists for diagnosis and treatment. Correct diagnosis is crucial once the surgical treatment is irreversible and if mistaken can lead to suicide. Diagnostic cues are essentially clinical and a test period of two years is recommended before surgery. During this period psychotherapy and antiandrogen and estrogen prescriptions are made to achieve secondary sexual characters adequacy. In this review article the concepts required for good practice in transsexualism are discussed as well as the therapeutic options available.
Keywords: Transsexualism; Gender role; Antiandrogen; Estrogen.


OS TERMOS ESPECÍFICOS UTILIZADOS nesta revisão encontram-se na tabela 1. O transexualismo como um fenômeno, claramente contrasta nossos entendimentos comuns sobre sexualidade (1,2), mas não é uma depravação sexual (3) e sim a forma mais extrema de distúrbio da identidade sexual (4). Também chamado de disforia de gênero (5), é uma incompatibilidade entre o sexo anatômico de um indivíduo e a sua identidade de gênero (6).





Nestes indivíduos, o desejo de pertencer ao sexo oposto é extremamente forte, procurando desesperadamente a terapia hormonal e a cirurgia, com este objetivo (7,8).
Conseqüentemente seu sofrimento é tanto e tão urgente que podem chegar ao extremo de auto-mutilação e suicídio (4).